Terror na Floresta



Depois do desaparecimento da Rainha Ireth e da Bruxa Kaya Elessar ficou disperso dos seus afazeres como Monarca. A culpa estava pesando na sua cabeça. Ele pensava que sua Rainha o abandonara por vê-lo com outra, o que para ela era traição matrimonial. E que Kaya estava aborrecida com ele por isso e se escondia. Para piorar mais a situação que já estava ruim por causa do desleixo do Rei. A "Floresta Negra" estava em desespero! Os Ciganos, os elfos e todo povo da floresta estavam sendo perseguidos por um grande lobo negro e castanho com olhos flamejantes. Parecia um demônio em sua carreira noturna pela "Floresta Negra" e arredores! 
Se tratava de um grande Lycan.

 Que durante os dias era Adriem um Humano lenhador que vivia derrubando as árvores da "Floresta Negra" em busca de bens materiais, porque pagavam bem por madeiras de lei. Ele transformado em Lycan era tão nocivo quanto era enquanto Humano.  Só piorava,  porque enquanto homem, ele ainda possuía um pouco de consciência e não destruía as criaturas da floresta! Bem,  propriamente dizendo, porque ao derrubar as árvores ele também destruía as vidas, só que não acreditava nisso.  Porque em sua visão destorcida pelo ódio ele dizia que era tudo "balela". Que não tinha como seres vivos serem sustentados por uma floresta. E pensando assim ele seguia derrubando quantas árvores podia.

Os Elfos de Gladiah que eram seres muito ambiciosos e passavam toda a sua existência a procura de acumular bens materiais como: Mais territórios, mais ouros... O maior de todos os seus desejos era se apropriarem da "Floresta Negra"Embora isto fosse desejo de muitos outros povos também!
A "Floresta Negra"  era uma terra mágica e habitada por elfos possuidores de muitas riquezas, muitos bens materiais e espirituais. Os Elfos de Luz viviam todo tempo guerreando com mercenários e ladrões poderosos que tentavam apoderar-se dos bens da "Floresta" sem se importarem com a "biodiversidade". E os ambiciosos Elfos de Gladiah sabendo que Adriem também era ambicioso, firmaram um acordo com ele: Nesse acordo: quanto mais árvores ele derrubasse mais ouro eles lhe dariam. Os elfos de Gladiah tinha em mente que: se a "Floresta Negra" fosse exterminada deixando o povo indefeso, eles poderiam atacar com mais facilidade e com toda a fúria de seus ambiciosos caçadores de fortunas. O Lenhador aceitou. Entretanto, os Elfos de Gladiah não sabiam que o Lenhador fosse um homem-lobo. Cumprindo o acordo; O Lenhador derrubou muitas árvores pela Floresta afora!.

O Rei elfo Elendil Elessar que era o defensor da floresta, abandonou o seu povo e vivia apenas para as carícias de Elisha... Entre a saudade de Ireth e o sumiço de Kaya... Ele nunca mais ouviu falar dela. Elessar achava incrível ninguém ter visto a Bruxa depois que Ireth "partiu" para longe dele.
Elisha estava feliz com seu elfo sempre ao seu lado, ele não usava mais a magia nem sai em batalhas, a maior parte do tempo ficava sobre efeito do Hidromel. (um fermentado feito pelos elfos, que é  diluído do mais puro mel em água e levedura (fermento)).

Elisha a doce elfinha alada estava tão feliz, que nem percebia que seu "Guerreiro" estava infeliz e por isso bebia tanto. Antes, ele  só fazia em acontecimentos importantes. Se ele soubesse como a floresta Negra está morrendo sem os cuidados dele, talvez voltasse a “viver” e recuperasse o  ânimo para sair daquele marasmo em que se encontrava. Mas ele nem se importava com a sua amada floresta mais. Foi por isso que aconteceu algo muito triste;

Agrond o líder dos Elfos de Gladiah havia marcado encontro com Adriem o Lenhador, no alto da montanha de Fir do lado Leste, donde seria impossível que alguém os visse tramando. A noite estava muito escura a lua estava coberta por densas nuvens, Agrond chegou primeiro no local do encontro e ficou a espera de Adriem sentado em uma pedra perto da beira do precipício. Ele ouviu um barulho! Olhou  para trás e viu alguém se aproximando um pouco longe ainda. Mas sua visão elfica pode ver que se tratava de um macho, alto magro com porte cigano e usava a camisa aberta, porque Agrond viu o reluzir do medalhão que ele carregava  no peito, quando a Lua fez menção de sair de trás das nuvens. Agrond logo conheceu o macho. Era seu amigo Adriem o lenhador que estava chegando para o encontro. O Elfo levantou-se para esperar o amigo .

De repente!!! A Lua se livrou das densas nuvens e clareou completamente Adriem  que se inclinou sobre o corpo e segurou a cabeça com as duas mãos, parecendo sentir uma dor muito forte...  Agrond correu em auxílio do amigo para ajudá-lo.  Adriem estava à uns dez metros dele e estendeu a mão aberta para frente e deu um grito forte e rouco saído da garganta:

- Agr...ond... Fique onde está!

Agrond assustou-se com a ordem, mas obedeceu preocupado. Ele nunca viu seu amigo Lenhador daquele jeito. A Lua estava toda redonda e majestosa como se tivesse vindo de propósito... E... Com um grunhido animal Adriem ficou de quatro... E  logo o grunhido se transformou em um uivo potente! Adriem passou por uma metamorfose dolorida transformando-o em um enorme lobo de olhos flamejantes e se pôs de pé... 


- Pelos Deuses da floresta é um Lycan!!!!

Disse Agrond e tentou fugir... Mas não teve tempo... Foi tarde demais! O grande lobo atirou-se sobre ele caindo os dois no precipício, porque o Elfo estava próximo demais da beirada...
Agrond caiu sobre uma árvore, daquelas que as raízes são longas e encontram liberdade nascendo nas encostas das montanhas. O corpo do Elfo foi transpassado por um galho e ficou dependurado, o Lycan  que possuía  força descomunal despencou mais adiante indo cair dentro do rio.
A Lua se escondeu novamente, como se ela tivesse aparecido apenas para causar aquela tragédia levando silêncio a montanha de Fir.

Agrond sangrou muito transpassado por aquele galho! Ele queria se manter desperto para tentar se soltar e subir novamente o tanto que caiu, ou descer, mas nem conseguia se mover por causa do enorme rombo que o fazia perder todo sangue. O sangue dele caiu em um patamar da montanha que ficava uns quatro metros abaixo, caiu sobre um punhado de folhas mortas e fuligem de alguma coisa que queimou até as cinzas; Conforme o sangue caia .. O punhado de fuligem se espalhava devagar no comprimento, como se tivesse vida própria! E esticou-se, ficando mais ou menos com 1 metro e meio de comprimento e uns quarenta centímetros de largura...

Do centro daquela fuligem que havia escurecido por ter ficado úmida, apareceram algumas ramificações venosas... E logo começou um “Tum Tum” fraco como um coração bombeando as ramificações venosas... E... Elas foram se cobrindo de algo que parecia pele seca, enrugada e feia, tipo tecido cadavérico... Por baixo da pele que pulsava, músculos e nervos tomaram seus lugares de direito. Já era possível ver um rosto desfigurado ainda sem lábios e  olhos sem as pálpebras  que arregalados e apavorados, se moviam para  todos os lados desesperados...

 Uma criatura estava renascendo das cinzas! Ela sentia dor, fome, sede... Uma sede incontrolável.
Na escuridão da noite ela se levantou arqueada, tinha asas!! Que estavam imperfeitas rasgadas, mas que tentaram carregar o corpo esquelético iniciando um voo sem sucesso. A criatura olhou para suas mãos cadavéricas, assustada sem saber quem era ou de onde viera, no exato instante que algo pingou em suas mãos... Algo quente, viscoso, com um aroma delicioso... A criatura renascida das cinzas, olhou para cima e viu o corpo de Agrond que sangrava, ainda com vida, por isso o sangue fluía quente.

A criatura movida por uma força repentina, que não sabe de onde vinha conseguiu chegar até o corpo de Agrond... Lá em cima na árvore da encosta da montanha.... Com suas garras e dentes enormes rasgou em pedaços o corpo do pobre elfo Agrond e tomou todo sangue que lhe restava. Era bem pouco, mas que resolveu muito. O corpo da criatura, quase ficou em perfeito estado, mas ainda estava muito fraca, e caiu da árvore na plataforma da montanha onde estava antes. Sentindo muita dor, ela se arrastou pelo chão, para chegar junto ao paredão e levantar novamente, quando... Ao por a mão mais adiante para dar apoio e levantar tocou em algo quente... Algo "vivo", Pulsante algo que tinha o calor que ela necessitava, tinha vida!

A criatura firmou os olhos tentando descobrir o que estava a sua frente. A Lua pálida saiu de trás das nuvens ajudando-a a enxergar. Logo a sua frente, estava um ser deitado que parecia morto... A criatura não compreendia: Como aquele ser estava quente... Mas estava sem respirar? Como era possível? A criatura já estava com os olhos quase perfeitos nas órbitas, e conseguiu ver que era uma espécie de bípede, talvez humano... Ele estava deitado de bruços e ligado por várias raízes e ramificações que vinham das arvorezinhas e por todo tipo de planta que cresciam naquele pequeno patamar da montanha... Toda vegetação estava interagindo e suprindo de vida aquele corpo... Mas a criatura não tinha noção disto, a única coisa que ela percebia é que aquele corpo tinha vida e ela precisava daquela vida!  Com muito custo se arrastou pelo chão, apalpando o corpo sustentado pela floresta. Se arrastou rente ao corpo, tentou virá-lo, mas o corpo estava preso pelas raízes e a criatura estava sem forças. Então, se arrastando deitou-se sobre as costas do corpo como conseguiu e no afã da sua avidez pela vida... A criatura mordeu o corpo daquele ser que continuou inerte... Ela sugou todo  sangue que conseguiu... E dessa vez a  criatura se refez muito rapidamente! Sentindo-se muito forte! 

- Estou muito mais forte que eu era antes! - ela disse em voz alta

De repente a palavra Antes reverberou na mente dela e ela lembrou-se de tudo...

- Eu... lembro... Eu sou Kaya! Por Lilitth! Esse corpo é... É da elfa Ireth! E eu...  Eu bebi da Elfa Negra! Por isso estou tão forte! Mas agora ela vai precisar morrer...  Vou cortar as raízes que alimentam seu corpo e será o fim. Não posso deixá-la transforma-se.  Estivemos aqui, juntas todo esse tempo... E agora preciso matá-la. Isso, não vou deixá-la aqui para morrer sem nutrientes vou acabar com isso logo. 

Kaya aflorou as garras de Harpia para arrancar a cabeça da Elfa quando notou que as ramificações estavam morrendo... Soltando-se do corpo da elfa... Kaya ficou ali ao lado dela esperando... Não lhe arrancou a cabeça! Ficou olhando o corpo da Elfa se enfraquecer até pararem as pulsações e pensou:

- Logo estará tudo acabado! Ela não viverá sem a proteção da floresta... Só então separo sua cabeça do corpo.

Nisso! A Elfa virou a cabeça e olhou para Kaya... Estava muito fraca... Não conseguia nem falar, não tinha forças...  Que sina cruel! As duas estavam ali frente a frente. A Elfa querendo acabar logo com o martírio e Kaya que voltou dos mortos por acaso e por instinto deu a elfa o que ela queria  “A morte”...  Com os mesmos instintos de vampiro Kaya invadiu a mente da Elfa e sentiu o desespero dela... Sentiu toda dor que sua mente guardava, o ciúme, também viu a felicidade, o amor, o êxtase e o sacrifício que fez pela suposta felicidade de seu amado. Kaya não suportou tanto sofrimento. Abriu suas grandes asas de pele que ainda não estavam totalmente restauradas e voou dali, a trancos tentando afastar-se o mais longe daquele sofrimento  que compartilhou. Kaya fugiu deixando Ireth ali no patamar daquela montanha fria, e sem a ajuda das plantas que morreram depois ela bebeu da elfa.

Ao sobrevoar a "Floresta Negra" Kaya sentiu a presença de Elendil e voou até o rio. E lá estava ele  ébrio com hidromel, jogado ao lado do carvalho, sem as vestes, que estavam jogadas mais a frente e Elessar falava sozinho  enquanto virava o "chifre de hidromel" na boca. Kaya pôde sentir também a dor do Elfo que era ligado a ela por magia. E percebeu desolada... Que as duas: Ireth e ela haviam se precipitado ao escolherem deixar Elessar com Elisha a elfinha alada. As duas acreditavam que ele estivesse apaixonado por Elisha...  Se fosse amor o que ele sentia pela elfinha alada ele não estaria sofrendo tanto.  Kaya que fugiu da dor de Ireth estava sofrendo outra vez, e dessa vez doia muito mais, porque era a dor de Elendil... Essa dor feria Kaya profundamente... Então num relance ela teve uma ideia!

- Louca! Completamente louca mas... Estava doendo muito....

Continua...

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Comentários

  1. Achei muito bom como a Kaya retornou... 👏👏

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    1. Obra perfeita de Mitra. Eu estou editando na terceira pessoa. "O Narrador" Mas deixei toda obra original.

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