Sede Infernal


Continuação:   

Kaya sabia que já estava tudo perdido mesmo, então ela iria por em prática sua ideia louca! Só que antes, precisava alimentar-se, e não queria fazer isso com os elfos nem com os ciganos. Ela saiu da "Floresta Negra" para encontrar um alimento salutar e quentinho.

Como a Bruxa vampiro não tinha capacidade de aparecer diante de alguém bela e sexy como sempre, sobrevoou a cidade e com um voo rasante raptou um rapaz que esperava a namorada no parque da cidade, e levou-o até a montanha, preso nas garras dos pés. Onde sem cerimônia nenhuma sugou todo sangue dele terminando assim, a metamorfose de demônio putrefato em uma bela harpia!!
Forte e pronta para atacar... Ela arrancou a cabeça do rapaz e jogou no precipício, deixou o corpo para os abutres e voltou para junto Elfa que continuava imóvel e a chamou!

- Ireth! Por favor! Diga que eu não cheguei tarde demais!

Olhou triste para o corpo de Ireth que estava totalmente sem cor, depois seguiu com o olhar um fino raminho que conectado na elfa tentava mantê-la viva. Olhou mais à frente e observou um cacto quase morto que ainda cumpria sua vontade sobrenatural de ajudar a natureza a manter o corpo de um elfo vivo até que seu espírito encontrasse outro, suprindo assim a elfa com vida Elemental. Mas aquela elfa não tinha mais vida elfica, quando Kaya a mordeu na sua condição decadente, não se preocupou em não contaminar sua vítima... Ela não pensava , apenas queria saciar sua sede e sua dor...Retirando assim a chance do espírito da Elfa retornar e também a chance de ela ser mantida pela floresta. Mas Kaya ainda tinha esperança! Virou o corpo da elfa que estava de bruços, pôs a cabeça dela sobre suas pernas para ficar confortável, cortou seu próprio pulso com a unha pontiaguda do dedo indicador, abriu a boca de Ireth e deixou pingar seu sangue num filete fininho. Depois de algumas gotas o corpo de Ireth estremeceu... E com a tentativa de um grito que soou fraco, ela se encolheu com as mãos sobre o ventre em espasmos alucinantes de dor.

Uma dor “seca” diferente de qualquer dor já sentida por ela. Dor causada pela “secção” (falta de sangue no corpo). Estava lutando entre a vida e a morte! O cacto não tinha mais condições de mantê-la viva, a Elfa era um morto vivo, foi drenada por um vampiro. E precisava decidir rápido:  Se queria morrer como Elfa ou “viver” como Vampiro! Ireth demorou a decidir, Kaya via passar o momento propício, então colocou a cabeça de Ireth sobre os joelhos, a segurou pelas lãs e lhe ofereceu o pulso dizendo firme! Decidida..

- Beba Ireth! Por Elendil! Ele não está bem, precisa de você!

A elfa ouviu o que precisava para fazê-la decidir. Segurou o braço de Kaya e sugou o sangue. A princípio, devagar e foi aumentando a sucção até que segurou com força o pulso de Kaya e cravou os dentes sugando com volúpia! Ela precisava matar aquela sede de vida! E sugava... Sugava... Kaya tentou puxar o braço, mas Ireth continuou sugando. Kaya começou a sentir-se enfraquecida. Deu um pulo jogou a Elfa longe e se levantou. Ireth foi na direção dela  ávida de vida e Kaya falou::

- Calma Ireth! Você vai me matar se continuar bebendo de mim!

A Elfa deu um salto como um animal, emitindo um chiado estranho parecido com o dos morcegos, ela precisava de sangue. e disse:

- Tenho sede Bruxa! Muita sede!

- Fique aqui Ireth! Me espere! Não saia daqui!

Pediu Kaya e voou para longe deixando a elfa sentindo desespero, sem entender o motivo de tanta sede... A mente estava turva, mas ela lembrava de Elessar e balbuciou:

- Elendil...

Mas estava sentindo-se muito fraca para ir até ele, para saber o que estava acontecendo... A voz da Bruxa na mente dela reverberava...

- "Elessar não está bem, precisa de voce"...

Kaya voltou com um humano preso nas suas garras. Ireth estava de olhos arregalados, encolhida em um cantinho bem perto de uma árvore tentando encontrar a proteção que tinha da floresta... Mas a floresta já não podia fazer nada por ela... Não se ela não comandasse... A Elfa olhou assustada para Kaya que estava em forma de harpia. Ela soltou o humano ao lado da elfa e ordenou:

- Bebe o sangue dele Elfa!

- Não! Eu não posso Bruxa!

- Você precisa beber ou vai definhar. Eu bebi de voce sem saber o que fazia, e para não te perder... Eu te contaminei com vampirismos... Agora voce precisa aceitar sua condição, precisa ajudar ao seu elfo.

Dizendo isso Kaya rasgou o peito do humano com as garras e levou bem perto de Ireth que ao sentir o cheiro do sangue os dentes aflorou assustando-a! O humano hipnotizado caminhava para junto da Elfa quando ela tentava se afastar. Kaya falou com calma, percebendo o olhar desejoso da elfa.

- Ireth segure-o pelo ombro e vire a cabeça dele para o lado de maneira que estique as artérias do pescoço e morda! É onde o sangue flui mais rápido! Ele não sentirá dor, apenas prazer provocado pelo seu veneno.

A elfa tremia... Algo nela dizia que não deveria matar! Kaya leu a mente dela e falou com carinho:

- Ireth os elfos matam apenas para o seu alimento não é?

- Sim, Bruxa!

- Viu? Voce não estará  fazendo nada que não seja natural e esse humano não tem pureza de alma, ele já está condenado. Faça Ireth! 

Kaya não poderia obrigá-la, apenas sugestioná-la, se depois de tudo que ela fez, Ireth não quisesse beber do humano, Kaya deveria aceitar a vontade dela, e deixá-la definhar numa dor eterna ou separar sua cabeça do corpo para que ela enfim tivesse a tão esperada morte. Mas, dominada pelo odor do sangue daquele humano que estava a um passo dela, e sangrava à grossos filetes  em seu tórax. Ireth possuída de uma fúria insana abocanhou a jugular do rapaz saciando enfim aquela sede infernal... Ela começou a sentir-se forte! Poderosa! E gostou disso! Ireth só o soltou quando ele desabou de suas mãos sem forças para manter-se de pé. Ireth foi para junto de Kaya e perguntou:

- Bruxa agora eu sou um vampiro como voce?

- Não Ireth! É um Vampiro melhor, mais forte e mais poderoso que eu. Voce era um elfo e eu um ser humano antes da transição.

A seguir, com cuidado e "bratstva" (irmandade) Kaya ensinou a elfa que deveria sempre separar a cabeça do corpo se ela bebesse de alguém até os limites, ou se por descuido o contaminasse com vampirismo, para que o veneno dela não criasse um vampiro! Ensinou que não deveria morder nenhum ser de sua espécie, nem inocentes. Que deveria se controlar para não contaminar quem ela mordesse, para que assim, ele se recuperasse em alguns dias.  Enquanto Kaya explicava tudo e Ireth ouvia atenta, o sol despontou assustando a elfa que tentou esconder-se. A mesma elfa que antes era amante da natureza em todo seu contexto. Mas agora se abrigava dos raios do sol se arrependendo de seu ato impensado. Kaya a puxou para uma caverna e a levou bem para o fundo onde a claridade não a alcançaria. Elas hibernaram ate a noite seguinte quando puderam conversar sobre tudo que aconteceu.

Naquela noite as duas não saíram da caverna. Kaya queria ter certeza de que Ireth estava ciente de sua nova condição! De que tinha entendido e aceitado tudo que lhe foi explicado, assim como Amom ensinou a ela quando a transformou. E veio o dia e as duas hibernaram novamente.  Quando o dia acabou Kaya despertou primeiro e foi até Nefah... E lá estava Elessar, sentado embaixo do velho carvalho, na beira do rio. Kaya parou na frente do Elfo e o olhou por longos momentos, enquanto pensava calmamente em tudo que estava acontecendo e no que viria a seguir... O Elfo encarou o vampiro no fundo dos olhos, e ela retribuiu o olhar. Permaneceram em silêncio. Nada disseram ao se encontrarem assim. Kaya sentiu o sofrimento dele, a grande saudade, a culpa... Coisas estranhas para um elfo de luz sentir. Tudo aquilo ajudou-a a  prosseguir com seu plano. Voltou para caverna e Ireth havia despertado e estava aflita andando de um lado para o outro. Kaya falou:

- Ireth! Está na hora!

- Na hora de quê Bruxa?

...............


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